ALEGRANDO-SE NAS PRISÕES

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“Fazendo sempre, em todas as minhas orações, súplicas por todos vós com alegria” (Filipenses 1:4).

O apóstolo Paulo escreveu esta carta à igreja em Filipo, importante cidade do Império Romano, localizada numa região montanhosa entre a Ásia e a Europa, quando ele estava preso em Roma, provavelmente nos anos 60 e 61. Essa prisão é citada por Lucas no livro de Atos: “Logo que chegamos a Roma, o centurião entregou os presos ao general do exército, mas Paulo foi permitido morar à parte, com o soldado que o guardava. Três dias depois, Paulo convocou os principais dos judeus. Quando eles se reuniram Paulo lhes disse: irmãos, não havendo eu feito nada contra esse povo, ou contra os ritos paternos, vim contudo preso desde Jerusalém, entregue nas mãos do romanos” (28:16-17). O período em que esteve encarcerado foi um dos mais conturbados na história da igreja primitiva e também para a própria vida do apóstolo. Paulo sofrera diversas ameaças de morte, além dos inúmeros constrangimentos físicos e psicológicos. A descrição detalhada de todo sofrimento foi escrita, a próprio punho, na Segunda Carta aos Coríntios (não deixe de ler o capítulo 11, versículos 24 a 28). A igreja em Filipo foi a primeira a ser fundada na Europa.
O momento exato em que escreveu aos irmãos filipenses, Paulo louvava na prisão com as costas banhadas de sangue. É difícil imaginar uma pessoa acorrentada, sofrendo diversos males físicos, dispor de alegria na alma para escrever, em forma de exortação, a irmãos distantes. Essa é a verdadeira bem-aventurança ensinada pelo Mestre JESUS, descrita em Mateus: “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Regozijai-vos e alegrai-vos, porque grande é o vosso galardão nos céus, pois assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós” (5:10 a 12). Paulo tinha consciência das enormes bênçãos que lhe aguardavam no futuro. Por isso, a sua Carta aos Filipenses pode ser resumida em apenas uma expressão: “JESUS CRISTO É A NOSSA ALEGRIA”. Era essa a essência do seu louvor, fundo de sua alma, com as correntes que impediam suas pernas de se locomoverem num espaço limitado. Mesmo com o corpo castigado, seu coração exultava a mais pura leveza. Essa deve ser a nossa atitude hoje quando enfrentamos lutas bem inferiores às de Paulo. Devemos fazer como disse o salmista: “Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã, louvarei com alegria a tua misericórdia, porquanto tu foste o meu alto refúgio e proteção no dia de minha angústia“ (59:16). A palavra ALEGRIA, em suas mais diversas derivações, deve ser destacada em toda a epístola.
Portanto, veremos algumas lições que essa epístola nos ensina para aplicarmos no nosso cotidiano.
Enquanto esteve preso, Paulo:

1) Não se esqueceu de orar pelos irmãos. Aparentemente aquele que mais precisava de oração era o que mais orava. Uma das grandes virtudes do apóstolo era não se abater face aos problemas que enfrentava (não eram poucos nem suaves), e transformar suas cadeias numa oportunidade única de estar mais perto do seu Senhor e Salvador JESUS. Orando pelos irmãos, intercedendo de dia e de noite, ele tinha a certeza de que o projeto final de salvação seria alcançado: “fazendo sempre, em todas as minhas orações, súplicas por todos vós com alegria pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora, tendo certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:4-6). Ou seja, uns pelos outros oravam continuamente, em busca de um prêmio maior. Disso extraímos outra lição: que o sofrimento de um irmão, não é apenas dele, mas meu também, porque ele está integrado ao mesmo Corpo de Cristo que eu estou. Momentos de cadeia ou de perseguição não devem se traduzir em desânimo. Pelo contrário, toda a igreja deve estar unida, principalmente, para falar com mais ousadia do Senhor JESUS. Saiba que os pecadores são atraídos pela alegria dos salvos. Um crente mal-humorado é um péssimo cartão de visita. Muitos soldados vinham ouvir os louvores que Paulo entoava na prisão. O servo de CRISTO aproveitava, então, para falar do plano divino de salvação na vida dos que ali se aglomeravam. Muitos conheceram o Cristo de Paulo através desses momentos de louvor e de alegria. As motivações do apóstolo não vinham de riquezas, de status, de dinheiro, de posição social. Vinham das cadeias, dos momentos difíceis onde ele encontrava ânimo para anunciar JESUS CRISTO Salvador da Humanidade. Daí a razão dele ter dito: “Pois para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fil. 1:21). Cristo tem sido a sua alegria e o seu refrigério nos momentos difíceis? Você tem orado pelos irmãos nas necessidades e nas prisões?

2) Instruía para a unidade da igreja. É assim que ele inicia o capítulo 2 da epístola: “completai o meu gozo, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa. (...) Não atente cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (vers. 2 e 4). Essa unidade gera uma conduta irrepreensível diante de DEUS. Se todos vivêssemos em Amor verdadeiro e não buscássemos apenas o que é nosso (secularmente dizendo), mas o que pertence a CRISTO, quais grandes frutos seriam extraídos dessa colheita... Os ensinamentos de CRISTO devem ser o modelo de toda igreja de DEUS na face da terra. Paulo já havia passado por experiência semelhante na igreja de Corinto, onde por causa da ambição de algumas famílias, a contenda criava raízes no meio do povo: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, para que sejais unidos no mesmo sentido e no mesmo parecer” (1 Cor. 1:10). Ele queria evitar que não acontecesse o mesmo com a igreja em Filipo. Afinal, apenas uma coisa identifica os crentes: a semelhança com DEUS.

3) Semeou a recompensa dos céus. É no último capítulo que lemos uma das mais brilhantes contemplações de alguém que, mesmo encarcerado, não se entregou às murmurações. Um texto que é conhecido de todos, e que é a síntese da fé que Paulo possuía naquele momento tão difícil de sua vida: “POSSO TODAS AS COISAS NAQUELE QUE ME FORTALECE” (4:13). O Poder de DEUS na vida de um homem não o faz conhecer limites nem se abater com a dor. De fato, Paulo sabia que DEUS poderia o elevar ao trono de glória, assim como fará com todos os que prosseguirem para o Alvo. Ele afirmava ante o sofrimento: “EU POSSO! PORQUE CRISTO ESTÁ COMIGO!” Que homem de grande fé!! E de fato as suas palavras, o seu ânimo, só confirmavam o que disse JESUS e está publicado no livro de João: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo: eu venci o mundo” (16:33). Será que ao invés de murmurar você também pode semear essa certeza em seu coração? Você está, assim como Paulo esteve, preparado para enfrentar desertos ora terríveis e ainda assim louvar a DEUS? Nunca se esqueça das palavras dele: “Sei passar necessidade, e também sei ter abundância. Em toda maneira, em todas as coisas aprendi tanto a ter fartura, como a ter fome, tanto a ter abundância, como a padecer necessidade” (Fil. 4:12). Que essas palavras fiquem guardadas em seu coração.
Paulo foi um homem que do sangue derramado fez emergir alegria pura da alma; fez do seu sofrimento um bálsamo de esperança. E se hoje somos igreja de CRISTO desenvolvida no mundo, parte agradecemos a perseverança de Paulo. Se hoje somos perseguidos por falsas autoridades, que insistem em propagar que não somos a igreja verdadeira de DEUS, lembre-se, meu amado irmão e irmã, que sofremos injustiças e somos injuriados porque carregamos em nós as marcas de CRISTO e em nossa vida repousa o Espírito da glória e de DEUS. Esses nossos perseguidores do presente são os mesmos que no passado perseguiram Paulo, demais apóstolos e toda a igreja primitiva de Nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO.
Esteja pronto para morrer por Amor ao Evangelho. Mas não deixe de se alegrar, de cantar, de agradecer, de amar e, principalmente, de orar. O bom seria se fôssemos iguaizinhos a Paulo... Mas, se não podemos, que façamos dos seus exemplos de vida modelo de nossa conduta diária, afirmando sempre “EU TAMBÉM POSSO, PORQUE É O MESMO CRISTO QUE ME FORTALECE!” Que Deus nos ajude!

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes que a Luz do Sol escureça”. Também é líder do Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo.

www.fernandocesar.com