CASADOS
E ETERNOS NAMORADOS
“Beije-me ele com os beijos da sua boca; pois melhor é o seu amor do que o vinho” (Cantares de Salomão 1:2).
O relacionamento de muitos casais vai
mudar a partir desse estudo. Podem acreditar. Em um curto espaço de tempo,
as palavras aqui escritas influenciarão milhares de pessoas pelo Brasil
afora.
Quando eu estava solteiro, ouvia dizer de muitos que casamento era o estágio
de vida mais angustiante que existia. Raramente, mas muito raramente mesmo,
alguém se aproximava de mim para falar algo bom sobre a vida de casado.
Eu imaginava como tantas pessoas conseguiam sobreviver face às frustrações
e às máscaras que usavam dentro do matrimônio. E pensava:
“existem inúmeras pessoas casadas e infelizes pelo resto do mundo...”.
Graças a DEUS, as opiniões de terceiros não chegaram a
mudar o sonho que eu tinha de um dia me casar e ser feliz.
Hoje faz pouco menos de um ano que me casei. Fui apresentado por DEUS a uma
mulher que me faz acreditar o quanto o casamento é uma dádiva
divina para o homem e a mulher, uma vida de eterno namoro. O que me faz pensar
assim?
A fase de recém-casados é uma das mais difíceis que existem.
No nosso caso então mais complicada ainda. Nós nos conhecemos
pela Internet e quase não tivemos o privilégio de conhecermos
um ao outro (reações, temperamento, comportamento, costumes),
no período conhecido como namoro. Na verdade, do momento em que nos vimos
pela primeira vez, face a face, até o casamento, não durou mais
que dois meses e cinco dias. Portanto, no casamento tivemos que enfrentar mais
esse obstáculo, além, é claro, de outros que pareciam óbvios
em nossa história: no meu caso, saudade da terra natal, familiares, amigos;
no nosso caso, muitas dívidas financeiras, adquiridas por conseqüência
do matrimônio (móveis, aluguel do imóvel, cartões
de crédito), incerteza quanto ao meu estabelecimento profissional.
Observem: abandonei uma vida tranqüila de solteiro em todos os aspectos
(praia, mãe do lado, dinheiro sobrando, lazer, shopping etc) para uma
outra completamente diferente, cheia de responsabilidades. Mas por que hoje
eu tenho uma vida muito melhor, espiritual e sentimentalmente, em relação
àquela que eu possuía antes? E por que, mesmo diante de tantas
adversidades, meu casamento com minha esposa, Sandra, é uma bênção?
1. Não colocamos as dificuldades
à frente do nosso amor. Elas existem, é bem verdade, e algumas
vezes chegam até a nos incomodar. Mas jamais enfraquecerão o cordão
de três dobras que nos uniu e nos unirá por toda a nossa existência.
Nosso amor é o que há de mais precioso em nosso casamento. Com
o amor à frente de tudo, não perdemos a afeição,
o respeito, o carinho, o zelo em querer agradar o outro. Sabemos que a nossa
família é bem mais importante para nós do que a nossa família
de origem. Não que nossos pais, irmãos, tios, avós, deixaram
de ser importantes. Não é isso. Mas, na ordem de nossas prioridades,
eles passaram a fazer parte no terceiro degrau: primeiro o Amor ao nosso DEUS
(ELE em primeiríssimo lugar); segundo, a nossa família, o amor
que sentimos um pelo outro; terceiro, nossos familiares. Fazendo isso, sabemos
que jamais nosso casamento se tornará rotina; antes, se renovará
a cada dia. Sandra fica muito feliz quando chega do trabalho e encontra uma
comidinha feita especialmente por mim. Às vezes, gostamos de assistir
a filmes juntos comendo pipocas. Outras vezes, a nossa alegria floresce quando
estamos simplesmente juntinhos, abraçados, conversando e brincando feito
duas crianças na cama. São pequenos detalhes que fazem a diferença
em nosso relacionamento. Sei que nada pode ocupar o lugar que é exclusivo
de minha esposa: nem excesso de trabalho; nem problemas do dia-a-dia; nem dívidas
financeiras; nem incerteza quanto algum projeto pessoal ou profissional. Em
síntese, eu e minha esposa vivemos presos ao sentimento que cultivamos
cotidianamente através de nossas atitudes, mas que nos faz livres para
nos amarmos cada vez mais. Preenchemos os vazios um do outro. Saciamos a nossa
própria sede e nossa mais cruel fome através do nosso amor. Somos
um alimento de amor recíproco. Temos interesse pela vida do outro. Que
abertura maligna daríamos em nosso casamento? Nenhuma. O pecado está
à espreita; a Bíblia afirma está “ao nosso derredor”
como um leão furioso, querendo nos tragar. Não podemos vacilar
em nenhum instante. A fé de que foi DEUS quem nos uniu e a consciência
das nossas responsabilidades (como, por exemplo, a liderança do marido
e a submissão da esposa) são maiores que tudo em nossa vida.
2. Tudo o que sentimos um pelo outro,
o nosso interesse pelo casamento, provém unicamente do nosso temor a
DEUS. O Nosso Redentor nos injeta esperança a cada nascer do dia. É
impossível manter-se forte no casamento, com tamanhas dificuldades do
dia-a-dia e enormes ações do diabo, se o casal não caminhar
junto em busca desse propósito maior: o de agradar a DEUS. Tudo o que
decido, penso antes se vou agradar a minha esposa, se ela vai ficar feliz com
aquela minha decisão. Ou mesmo quando estou sozinho e não preciso
decidir nada, converso com DEUS e agradeço pela vida dela. O leito sem
mácula significa obediência à Palavra vivida no casamento.
Você pode até me dizer que conhece casais muito felizes, que não
buscam compromisso verdadeiro com DEUS, como o que afirmo aqui. Eu diria que
esses casais agradam a DEUS, muito mais por educação e por caráter,
por obras, do que pela fé no conhecimento genuíno da Bíblia
e pelo Espírito de DEUS. Não devemos desconsiderar de que há
também casais que afirmam serem felizes em suas religiosidades. Mas eles
ainda não sabem, não compreendem a importância da salvação
espiritual. Por isso é tão importante caminhar com CRISTO, levando
no casamento as marcas do Sangue do Filho de DEUS. É essa herança
e essa promessa que os filhos carregarão em suas vidas.
3. A sabedoria em falar, ouvir e a capacidade
de perdoar. De tudo o que estou escrevendo aqui, vocês podem imaginar
que sempre permanecemos intactos, inabaláveis face aos obstáculos
no casamento. Somos filhos de DEUS, mas não perdemos a nossa natureza
humana. Não somos anjos. Por isso, às vezes passamos um pouco
dos nossos limites e erramos. Já alterei a voz desnecessariamente para
a minha esposa. Ela já me deixou falando sozinho (ai, como isso é
péssimo!). Mas uma virtude nunca desprezamos: a capacidade de perdoar.
Tanto eu como ela já nos arrependemos de coração pelos
nossos erros; e logo estamos numa boa de novo. O que não devemos é
deixar que os erros criem raízes em nosso relacionamento. Raízes
de mágoas, de ressentimentos. Afinal, com erros e com acertos, é
com ela que vou caminhar para o resto de minha vida e disso não abrirei
mão.
Hoje ainda somos um casal bem jovem; mas, querem saber se estou arrependido?
Se eu pudesse voltar o tempo, naquela noite de 9 de setembro de 2006, na Primeira
Igreja Batista do Cruzeiro Novo, em Brasília, Distrito Federal, eu faria
tudo novamente. Casaria-me com a minha esposa, Sandra, outras mil vezes se pudesse...
FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes que a Luz do Sol escureça”. Também é líder do Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo.
www.fernandocesar.com