A
DISSEMINAÇÃO DO JOIO
“Mas enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se” (Mateus 13:25).
Recentemente o Instituto Brasileiro de
Geografia Estatística (IBGE) divulgou dados referentes ao crescimento
populacional brasileiro nos últimos 60 anos. Em relação
à religião, a comparação realizada entre o Censo
de 1940 e o do ano 2000 mostrou uma redução significativa de católicos
e um aumento considerável de evangélicos (cresceram de 2,6 a 15,4%).
Sinceramente, acredito que o número da população que se
diz evangélica é muito maior que o apresentado, mesmo considerando
que milhares de católicos e evangélicos ficaram de fora da pesquisa.
Esse total, portanto, corresponde apenas ao percentual exato dos que foram ouvidos.
Deixando de lado os números, um outro aspecto merece, no mínimo,
uma reflexão: eu não era nascido em 1940, mas pelo que ouço
dos mais antigos e por aquilo que leio, ser evangélico, naquela época,
apesar das grandes perseguições e dos estreitos espaços
de atuação, era um exemplo de princípios morais e valores
espirituais.
Há 60 anos, ser evangélico era motivo de orgulho e de alegria
para muitos. Qualquer um gostava de receber em sua casa uma pessoa evangélica.
As igrejas não eram tantas (ainda nem existiam infinitas denominações),
mas os poucos cristãos tinham um profundo compromisso com a Palavra de
DEUS. Um evangélico era reconhecido de longe pelo seu vestir e seus procedimentos
de justiça. Ninguém, naquele tempo, imaginava evangélicos
comumente envolvidos em escândalos, como também não serem
disciplinados pelas igrejas. Os cargos eram distribuídos conforme o compromisso
que cada um tinha com CRISTO e os respectivos chamados. E por causa da forte
resistência que possuíam, os cristãos eram capazes de colocar
a prêmio suas cabeças por Amor do Evangelho.
Se alguém chegasse em casa, por exemplo, comentando que seu chefe é
evangélico, tanto os familiares como o empregado se alegravam e tinham
mais confiança numa relação pautada no Amor e na Justiça.
Ou seja, o chefe evangélico cuidava prioritariamente em preservar um
bom testemunho frente a uma sociedade ímpia e corrompida. Valorizava
e tratava bem a todos no ambiente de trabalho. Pastores, presbíteros,
diáconos, ministros, bispos eram referência de Amor e dedicação
à Palavra de CRISTO. Foi assim que a igreja de CRISTO foi se formando
aqui na terra, principalmente pelo testemunho cristão.
Atualmente e infelizmente, uma significativa parcela da igreja evangélica
vive das lembranças e da saudade desses líderes e desse tempo,
os quais deixaram exemplos maravilhosos de conduta cristã para nós.
Olhando firmemente para CRISTO, tinha-se a certeza de que, na terra, havia líderes
sinceros e zelosos. A imperfeição do homem era trabalhada para
se obter a perfeição de DEUS. Hoje, infelizmente, com muita freqüência,
estão a pisar “sobre as cabeças dos irmãos”,
dispersar ovelhas, e a usar a imperfeição humana como justificativa
pelas más condutas. Quando não é isso, atribuem todo relaxamento
e omissão a satanás, como que desejando se eximir da culpa e da
irresponsabilidade, como fez o primeiro homem no Édem.
Alguém duvida de que a igreja evangélica de antigamente tinha
muito mais compromisso com a Palavra de DEUS, bom testemunho, do que a igreja
de hoje? Afinal, o que terá acontecido de errado no desenvolvimento da
“igreja evangélica”, especialmente no Brasil? Errou-se quando
tentou adaptar a igreja ao mundanismo com o propósito único de
encher os templos? Será que muitos se acomodaram na velha premissa “sou
salvo para sempre e nada mais tenho a fazer senão aguardar a volta de
CRISTO”? Ou será que muitos líderes, fascinados pelo grande
número de pessoas e pela possibilidade da autopromoção,
fizeram-se donos das igrejas e quiseram ser maior do que DEUS? Afinal, há
de nos deixar impressionados os números divulgados pelo IBGE ou devemos
buscar qualidade espiritual? Quem sabe, todas essas possibilidades juntas tragam
a resposta à condição de miséria espiritual que
um grande número de “evangélicos” se encontra no momento.
É certo que a mentira sempre esteve no meio da igreja de DEUS, desde
sua mais primitiva formação, com um poder enorme de persuasão.
Na Bíblia Sagrada, há inúmeras referências aos falsos
líderes presentes no meio do povo de CRISTO como a que consta em Mateus
7: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm
até vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são
lobos devoradores” (vers. 15). Paulo, ao escrever uma segunda Carta
para a igreja em Corinto, advertiu: “Mas o que faço, isso farei,
para cortar ocasião aos que a buscam a fim de que, naquilo em que se
gloriam, sejam achados assim como nós. Pois os tais, são falsos
apóstolos, obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos
de Cristo. E não é de se admirar, pois o próprio satanás
se transforma em anjo de luz” (11:12-14). Ainda no livro de Mateus
temos uma séria advertência: “Pois surgirão falsos
cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios
que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Prestai atenção,
eu vo-lo tenho predito” (24:24-25). O próprio JESUS conclui
dizendo “prestem atenção”. Em outras palavras, o Nosso
Salvador JESUS pede para ninguém cochilar nem se desviar do alvo para
o prêmio da soberana salvação, quando um destes falsos evangélicos
se introduzir no nosso meio. “Fiquem atentos e não os siga”.
A mentira sempre esteve ao nosso redor, introduzida em nosso meio, mas ela jamais
pode fazer morada em nosso coração nem ser prática do nosso
viver. Quando cito o termo mentira me refiro, sobretudo, a uma vida sem frutos,
morta, deleitada no pecado, de puro farisaísmo; encoberta apenas com
uma máscara da verdade, sem desejo algum de arrependimento. Há
falsos cristãos tão mortos quanto a máscara que usam, que
“professam conhecer a Deus, mas negam-no pelas suas obras, sendo abomináveis,
desobedientes e reprovados para toda boa obra” (Tito 1:16).
Claro que em pleno século XXI há ainda líderes comprometidos
com o Evangelho de CRISTO, como, por exemplo, da estatura e humildade de um
Silas Malafaia e de um Josué Yrion, pessoas imperfeitas como nós,
mas que oferecem a face em defesa do Evangelho de CRISTO e em cujos corações
há o desejo ardente de preservar o Nome do Filho de DEUS sem manchas,
rugas ou coisa parecida. Há ministérios abençoados como
o do Diante do Trono, digno de ser chamado “Luz desse mundo”. Como
também há pastores, ministros, presbíteros, diáconos,
embora desconhecidos, que se fortalecem pelo poder da oração e
pelo compromisso com o Evangelho Santo. Há um povo que ora e jejua; um
povo humilde que clama, não se acomoda, que traz na alma as marcas de
CRISTO; que abomina o pecado; não se corrompe nem troca a Justiça
de DEUS pelas injustiças do mundo... Veja, meu irmão, se você
se identifica com esse povo, que não usa máscara, que possui marcas
nos joelhos e olhos cansados, aspecto de abatido; desconhecido dos homens, mas
bem conhecido de DEUS.
Eu prefiro me regozijar na existência desse povo, o qual eu chamo de irmão
meu e Filho de DEUS, cuja densidade do crescimento o IBGE não pode aferir.
Esse povo, verdadeiramente de CRISTO, cresce a cada dia em temor a Palavra,
em santificação, em testemunho, em resultados. Para DEUS não
importa se são 200 ou 200 milhões; se fazem parte da denominação
A ou B. Importa, para DEUS, é saber que esse povo O busca diariamente
e tem aprendido com o próprio PAI que santificação não
é marca de camisa nem carteirinha de igreja. Santificação
é vida com CRISTO e em CRISTO, demonstrada cotidianamente através
das boas ações...
Dedico este estudo a todos aqueles que decidiram me abandonar na caminhada.
FERNANDO CÉSAR –
Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de
vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes que
a Luz do Sol escureça”. Também é líder do
Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo.
www.fernandocesar.com