TELEDRAMATURGIA
E VIDA CRISTÃ
“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal, que fazem da escuridão luz, e da luz escuridão, que põe o amargo por doce, e o doce por amargo”. (Isaías 5:20).
Muitos me perguntam o que faço,
como cristão (evangelista) e, ao mesmo tempo, professor de Literatura
no Brasil, para em sala de aula explicar e até sugerir leituras para
vestibulares de obras satânicas como as de Álvares de Azevedo ou
as eróticas como os textos poéticos de Castro Alves, Olavo Bilac
e Carlos Drummond de Andrade? Oro antes de sair ao trabalho, respondo. O que
não devo é deixar de ser honesto com a profissão que DEUS
me abençoou. Minha fé não pode se resumir a um mero exercício
profissional, uma explicação de um livro ou de um autor; mas representa
o que penso de uma forma geral, o meu testemunho de vida e o meu amor por JESUS.
Porém o que não faço, de jeito nenhum, é assistir
às novelas televisivas brasileiras, as quais, na minha opinião,
constituem um alimento maligno para todo aquele que almeja se fortalecer espiritualmente.
Não o faço, porque, diferentemente de minha profissão,
sou livre para escolher assistir ou não; apesar de, em alguns casos,
os livros de Literatura serem adaptados para a televisão. Chega até
ser um paradoxo “vida cristã e novelas”. Nunca assisti a
nenhuma. Muito menos pretendo fazê-lo depois de minha decisão de
caminhar com JESUS. Entretanto, o que tenho ouvido e lido acerca desse produto
em nada é útil para um caminhar saudável com DEUS.
Entre 21 de janeiro a 24 de agosto de 2002, a Rede Globo de Televisão
exibiu em 185 capítulos a novela “Desejos de Mulher” (de
autoria de Euclydes Marinho), com alto grau de violência. A atriz Alessandra
Negrini (que participou da novela), quando perguntada por uma repórter
da TV Folha sobre as sucessivas cenas de violência mostradas em pleno
horário nobre (19 horas) respondeu: “ Desejos é
passível de críticas, sim; mas é o que o público
queria ver. O autor foi atrás de IBOPE. A audiência só subiu
quando a novela ficou mais violenta”. Adiante, indagada mais uma vez se
permitiria que seus filhos assistissem à novela, ela completou: “Meu
filho não assiste à televisão. Não vemos TV lá
em casa. Não temos o hábito e nem sentimos falta. Às vezes,
vemos algum documentário do Discovery (canal por assinatura), os únicos
programas que valem a pena. Temos coisas mais interessantes e úteis para
fazer, como ler ou conversar. Mas reconheço o valor da TV e acho importante
lutar pela qualidade da programação, que está muito ruim”.
Em uma outra entrevista para o jornal “Agora São Paulo”,
Lima Duarte, outro ator conceituadíssimo, afirmou: “Eu, particularmente,
não suporto, não agüento assistir”. O que observamos
é que, muitos dos que contribuem para o “lixo televisivo”,
não permitem sequer que seus filhos assistam. Quase que pedem desculpas
por aquilo que produzem de tão ruim. Igual como um policial condoído
que diz: “eu apenas cumpria ordens”; ou como um sujeito que edita
programas eleitorais para um político corrupto; enfim, veicula mentiras
apenas porque tem que cumprir o seu serviço. Um dos graves problemas
da televisão no Brasil é que seus idealizadores, além de
não terem compromisso nenhum com a Palavra de DEUS, fingem para si mesmos
que não têm compromisso moral com o resultado do seu trabalho.
No fundo, acreditam que é justo oferecer aos filhos dos outros aquilo
que recusam a dar aos próprios filhos.
A Rede Globo de Televisão, detentora do maior núcleo novelístico
do país, tem produzido produtos que não só modificam os
hábitos, influenciando-os para o mal, como muitas vezes, agridem aos
ensinamentos da Santa Escritura, chegando até, a ridicularizar a imagem
dos ministros de DEUS. São novelas e minisséries para todos os
gostos: insinuação de corrupção de pastor evangélico,
como ocorreu em “Decadência” (5 a 22 de setembro de 1995),
interpretado pelo ator Edson Celulari; apologia à prostituição,
adultério, espiritismo (com ênfase no tema da reencarnação),
feitiçaria, vampirismo, idolatria etc. Vejamos então alguns dos
inúmeros títulos diabólicos: “Meu destino é
pecar” (1984); “Roque Santeiro” (1985); “Cambalacho”
(1986); “Pacto de Sangue” (1989); “O sexo dos anjos”
(1989-90); “Meu bem, meu mal” (1990); “Vamp” (1991);
“A viagem” (1994); “Anjo mau” (1997); “Um anjo
caiu do céu” (2001); “Porto dos Milagres” (2001); “Estrela-guia”
(2001); “A padroeira” (2001); “O Clone” (2001); “O
quinto dos infernos” (2002); “O beijo do vampiro” (2002);
“Da cor do pecado” (2004); “Alma gêmea” (2005);
“Bang bang” (2005); “O Profeta” (2006) e “Eterna
Magia” (2007).
Pesquisa apresentada pelo jornal inglês “Independent” concluiu
que “as crianças que assistem a cenas agressivas e violentas na
televisão têm maior probabilidade de exibir comportamento semelhante
no futuro”. Outra pesquisa, aqui no Brasil, revelou que 96% dos lares
brasileiros detém um ou mais de um aparelho de TV, e que 90% destes (pertencentes
às classes C e D) são pessoas que deixam o aparelho ligado em
uma ou duas novelas noturnas, exibidas pela Rede Globo. À proporção
que esse tipo de “entretenimento” se faz presente no dia-a-dia das
pessoas, mais as famílias acumulam prejuízos quase sempre irreparáveis.
Contraditoriamente, as mesmas pessoas que produzem essas novelas violentas,
que invadem os lares brasileiros, patrocinam campanhas em prol do combate à
violência no país. O mais triste é saber que boa parte do
povo evangélico, escolhido para ser santo por DEUS, denominado de “geração
eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido (...)
(1 Pedro 2:9), está contribuindo com os altos índices de
audiência dessa programação destrutiva e enchendo mais e
mais os bolsos dos seus produtores. O apóstolo Paulo advertiu: “mudaram
a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram a criatura em lugar do Criador
(...)” (Romanos 1:25).
A TV brasileira nunca foi uma BBC de Londres, mas a despencada nos últimos
anos é algo incomparável. Cenas de nudismo e de apelação
sexual são o de menos para quem produz. A falta de conteúdo e
a exploração do bizarro e da miséria humana (com o pretexto
de entreter) nunca estiveram tão latentes como agora. Emissoras populares
descambam para o mais baixo nível de apelação e exibem,
em horário vespertino, o que há de mais grotesco. Quem não
se lembra dos programas de João Kleber e o de Márcia Goldschmidt?
Eles ultrapassavam o estarrecedor “Programa do Ratinho” na concorrência
e na exploração, em forma de humor, do cotidiano triste dos “menores”
da sociedade. Em outra ponta, os “reality shows” usam pessoas de
boa condição social e esteticamente bonitas para apresentarem
um show de pornografia, prostituição, alcoolismo e traição.
As novelas, em particular, têm contribuído e muito para a distorção
do caráter e a promoção da violência no país.
Não colocaria culpa exclusivamente no povo, carente de boa informação
e de estudos muitas vezes, como o maior responsável dessa hegemonia que
a novela hoje ocupa na família brasileira. O Ministério das Comunicações
(ninguém sabe ao certo as razões) não cumpre satisfatoriamente
seu dever de fiscalizar e de punir, inclusive, com a perda de concessão,
emissoras que promovem o tal do “lixo televisivo”. Motivos suficientes
existem para isso. Mas alguém acredita que o Governo Federal seria capaz
de punir, por exemplo, uma empresa tão poderosa como a Rede Globo de
Televisão? (Lembre-se de que o nosso atual Ministro das Comunicações,
Hélio Costa, é ex-funcionário da empresa dos Marinhos).
Portanto, a responsabilidade maior para que esse mal acabe está em nós.
Sem audiência, esses empresários e produtores não sobreviveriam
dessas novelas e da programação de baixa diluição
cultural, até porque os recursos financeiros dos anunciantes-patrocinadores
(os comerciais de TV) se tornariam escassos e insuficientes. Os que amam a DEUS
não podem, em hipótese alguma, compartilhar das imundícies
desse mundo. Veja o que Paulo escreveu: “E não vos associeis
com as obras infrutuosas das trevas; antes, porém, condenai-as. Pois
o que eles fazem em oculto, até dizê-lo é vergonhoso”
(Efésios 5:11-12). Em Romanos, o mesmo Paulo advertiu: “Não
vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação
do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável
e perfeita vontade de Deus” (12:2).
O certo é que a TV trabalha com o que lhe convém. A imagem de
CRISTO é explorada de diversas formas para agradar a grego e troianos,
digo: espíritas, idólatras, muçulmanos, umbandistas, seguidores
do vampirismo e falsos cristãos. Menos aos filhos de DEUS, que encontram
na programação brasileira um convite tentador à perdição
de suas vidas. Aos apaixonados por CRISTO, cabe o dever de combater toda a manifestação
contrária ao Evangelho, como escreveu o apóstolo João:
“Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém
ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há
no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos
e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. Ora o mundo passa,
e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece
para sempre” (1 João 2:15-17). Não esquecendo, também,
as profundas palavras do apóstolo Paulo: “Combati o bom combate,
acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora a coroa da justiça
me está guardada” (2 Timóteo 4:7-8).
Não estou sugerindo a nenhum cristão destruir seus aparelhos de
TV nem diria que a totalidade da programação de TV no Brasil “é
coisa do demônio”, como defendem alguns líderes religiosos
mais ortodoxos. Há ainda raros e bons programas, especialmente para a
família, e alguns dirigidos especificamente ao anúncio da Palavra
de DEUS. Mas os salvos em JESUS devem ficar muito atentos àquilo que
pode destruir as suas almas e afastá-los da Presença do Nosso
PAI celestial. Em outras palavras, examinar tudo e reter apenas o que for bom,
edificante.
A mídia pode introduzir vários tipos de Jesus ou de práticas
religiosas, mas você sabe qual é o Único Caminho que lhe
dará direito à morada eterna no céu...
FERNANDO CÉSAR
– Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião:
mude de vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes
que a Luz do Sol escureça”. Também é líder
do Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo.
www.fernandocesar.com