DUAS HISTÓRIAS DIFERENTES DE FILHAS

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“Porque Deus ordenou dizendo: honra a teu pai e a tua mãe; e, quem maldisser ao seu pai ou à sua mãe, que morra de morte” (Mateus 15:4).

História 1: Em Recife, uma mãe desesperada pede ajuda à Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente. Em tempos de seqüestros, raptos, e diversos tipos de violência contra adolescentes, os agentes pensaram que a agonia daquela dona-de-casa de 47 anos seria pelo desaparecimento de sua filha. Quando a senhora terminou de narrar o seu dilema todos ficaram perplexos. A sua filha, de apenas 15 anos, já tentou matá-la algumas vezes. “Ela sai à noite para beber, fumar e fazer coisas erradas, e quando retorna, no outro dia de manhã, vive a me esculhambar e me ameaçar. Não agüento mais essa situação. Quero que a polícia tome uma providência”, suplica. Na madrugada do dia anterior, a filha tentara mais uma vez, armada com uma faca, tirar a vida de sua mãe. “Sou obrigada a dormir todos os dias com um olho aberto e outro fechado para ela não me matar de noite”, conta com lágrimas nos olhos. A mãe, uma humilde trabalhadora, lutou a vida inteira para que a filha tivesse o melhor. Muitas vezes, abriu mão de algumas conquistas pessoais em benefício da educação da filha. Mesmo assim, o tratamento que recebe é o pior possível. “Eu não tenho mais forças para cuidar dessa menina. Uma pessoa que eu criei com todo amor do mundo; fiz muito sacrifício para colocar um pão dentro de casa para alimentá-la e hoje ela me agradece desse jeito”, conclui. Durante o tempo em que foi entrevistada, a jovem admitiu que fuma e bebe: “eu bebo e fumo cigarro, sim. Mas ninguém pode dizer que uso outros tipos de droga. As pessoas ficam dizendo mentiras para essa mulher e ela acredita”, defendeu-se, referindo-se à própria mãe. O delegado da GPCA encaminhará o caso ao Ministério Público. “Só espero que a polícia e a Justiça não deixem para tomar uma decisão somente depois que eu estiver morta”, desabafou a mãe.
História 2: Igreja Batista, Cruzeiro, Distrito Federal. Há alguns meses, os membros oram pelo restabelecimento da senhora Elisabeth Raymundo, esposa do pastor e mãe de três filhos, que sofre com as conseqüências da quimioterapia, exame para conter uma doença grave, alojada em seu corpo. Num domingo ensolarado, os cristãos receberam a notícia, ainda na igreja, que seu estado de saúde havia piorado e que a irmã Beth, como é chamada carinhosamente por todos, teria dado entrada na U.T.I. do hospital. Então, mais uma vez, o dirigente da escola dominical pede que os presentes fiquem de joelhos e orem a DEUS pela amiga e irmã. Momento de fé, mas também de tristeza. Após a oração feita por um dos irmãos, em voz alta, ouve-se uma segunda pessoa, com a voz embargada e em tom de desespero abrir o segundo momento de intercessão: “Senhor DEUS, me ajude e me socorra nesse momento difícil pelo qual passa a igreja e toda a minha família. Clamo-te para que o Senhor, Todo-Poderoso, livre a minha mãe querida dessa situação. Deus, grande é a saudade que sinto em meu coração de minha mãe. Se possível, tira-a daquela situação de dor e me coloca em seu lugar. Deixa-me fazer sentir as dores no lugar de minha mãe...” E a oração prosseguiu assim, em tom de humilhação, de desespero. Era a sua filha, Priscilla, aos prantos, condoendo-se com o estado de sua mãe, comovendo toda a igreja com palavras nunca ditas, proferidas do fundo de sua alma.

São duas histórias antagônicas e bem profundas. A primeira, o desespero de uma mãe que não suporta mais conviver com uma filha ingrata e violenta, que já tentou matá-la várias vezes. A segunda, o desespero de uma filha que, ao ver sua mãe agonizando na U.T.I. de um hospital, clama para que DEUS a coloque no lugar da mãe.
Não é por causa simplesmente da religiosidade que a filha má e a boa filha têm comportamentos distintos. O primeiro caso bem poderia também ter ocorrido no seio de uma família cristã, religiosa; e o segundo entre pessoas ímpias, sem um caráter cristão. A questão do caráter independe da religião da qual façam parte, mas está diretamente relacionada à educação. A distância entre a educação que os pais dão a seus filhos e a influência mundana é quase imperceptível. O mundo existe para contrapor todo o ensinamento oferecido pelos pais. É por isso que existem muitos que ficam sem entender as razões porque seus filhos, quando crescem, possuem um comportamento tão diferente daquele ensinado por eles. Quando me refiro a mundo relaciono questões como amizades (incluo aqui vários tipos de influências que podem surgir a partir dessas amizades como bebida, fumo, drogas, maus comportamentos, vícios etc); televisão (certas novelas, filmes, seriados, reality shows, programas de auditórios etc); músicas e até livros. Chega um momento da vida em que os pais não podem mais acompanhar 24 horas a educação dos seus filhos. Trabalham dois expedientes, vêem pouco os filhos e não dispõem mais de tempo para conversar, saber como vai a sua vida. Os filhos ficam entregues ao mundo e à educação que o diabo oferece. Há também aqueles adolescentes que cresceram com sérios problemas emocionais ou porque presenciaram uma estrutura familiar destituída ou testemunharam os embates dos pais. Cresceram traumáticos, revoltados e sem a mínima afeição. Educar não é fácil, mas também não é impossível. Há apenas um caminho possível, uma esperança viva para que não tenhamos mais a perspectiva de um futuro sombrio como o presente em que vivemos.
A educação do mundo só permite um caminho: o da destruição dos valores familiares e do espírito. Pais precisam educar seus filhos no temor à Palavra de DEUS. Mas antes, eles (os pais) precisam ter uma vida transformada por JESUS para enxergar como funciona o sistema universal sem CRISTO. A Bíblia adverte: “Portanto, amem o SENHOR, nosso Deus, com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças. Guardem sempre no coração as leis que eu lhes estou dando hoje e não deixem de ensiná-las aos seus filhos. Repitam essas leis em casa e fora de casa, quando se deitarem e quando se levantarem. Amarrem essas leis nos braços e na testa, para não as esquecerem; e as escrevam nos batentes das portas das suas casas e nos seus portões.” (Deuteronômio 6.5-9). Os demônios estão usando os filhos e os pais para práticas que levam à destruição total da família. Todos precisam estar revestidos das armaduras de DEUS para suportar os dias maus. Guardar os ensinamentos de DEUS é a única saída. Os pais só terão autoridade para cobrar algo se antes eles forem exemplos para seus filhos. A diferença de comportamento entre filhos que foram educados no temor à Palavra de DEUS e filhos cujo caráter foi gerado à sorte do próprio mundo está em como eles apreciam os seus pais e como reagem às pressões mundanas. A filha má, citada na história 1, e Priscilla, educada num caráter de DEUS, vêem DEUS e as mães de maneira completamente distintas: para a primeira, DEUS é apenas uma imagem pendurada na parede ou uma Bíblia empoeirada aberta sobre a estante e a mãe alguém que quer controlar os seus passos em troca de uma educação autoritária e ultrapassada; enquanto a segunda vê sua mãe como dádiva soberana dos céus, e DEUS como Justiça, Misericórdia e Amor. Muitos pais têm perdido seus filhos para o diabo por desobediência à Palavra de DEUS. Educar significa também dizer “NÃO” na hora certa e, quando necessário, repreendê-los de maneira mais dura. Os filhos precisam crescer compreendendo que há limites. Afinal, disciplina não é sinônimo de castigo, mas de correção...

FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes que a Luz do Sol escureça”. Também é líder do Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo.

www.fernandocesar.com