NÃO
MORRA NO DESERTO: APRENDA A VOAR!
“Porque o Senhor havia dito acerca deles: certamente morrerão
no deserto. Nenhum deles sobreviveu, exceto Calebe, filho de Jofoné;
e Josué, filho de Num” (Números 26:65).
Enquanto caminhavam pelo deserto, as
crianças hebréias ouviam comumente dos seus pais uma velha e conhecida
história: “Há quatrocentos anos, um homem chamado Abrão
desceu lá do norte, da cidade de Ur na Caldéia, e com toda a sua
família se dirigiu para Canaã. Mas, no meio do caminho, numa cidade
chamada Harã, Abrão e sua família ali se estabeleceram.
Num certo dia, o velho patriarca ouvira de Deus a ordem de que o mesmo deveria
sair dali e prosseguir com a caminhada, pois ele receberia por herança
a promessa de uma descendência tão grande como as estrelas do céu
e que, através dele, todas as famílias da terra seriam abençoadas.
A terra era Canaã, o lugar prometido por Deus, e que haveria de ser habitada
pelo Seu povo”.
Parecia uma promessa estranha... Afinal há alguns anos essas famílias,
que haviam sido libertas da escravidão no Egito, caminhavam sob um sol
escaldante por uma estrada desértica, onde não se via luz nem
final, nem ribeiros de água, nem frutos, nem alimento algum. E, aparentemente,
aos olhos do povo, esse lugar era muito pior do que o anterior, onde eles viviam
cativos pelas mãos do Faraó. Este foi o cenário escolhido
por DEUS para provar o Seu povo e aperfeiçoá-lo até que
estivesse preparado para receber a bênção maior: a conquista
da terra prometida. Adiante, seguia o velho líder, Moisés, aquele
responsável por libertá-los do Egito e também orientar
os destinos e as aflições que por vezes surgiam. Entre um dia
e outro, mais parecia distante e utópica a possibilidade de alcançarem
a promessa. A única determinação de DEUS ouvida por aquela
nação, que a cada dia se multiplicara no deserto, era: “Diga
ao povo que marchem” (Ex. 14:15). Eu estarei convosco, “de
dia numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna
de fogo, para os alumiar” (Ex.13:21). DEUS já havia dado provas
de sua Fidelidade, quando fez toda uma multidão atravessar em seco o
Mar Vermelho e, aos seus olhos, o exército do Faraó ser todo consumido
pelas águas. Mas aquilo pareceu pouco. Já próxima do deserto
de Sur, numa jornada de três dias, sedenta, e ao se deparar com as águas
amargas de Mara, a multidão enfurecida murmurou contra Moisés,
perguntando-lhe “o que haveria de beber”. DEUS mais uma vez cumpre
a Sua Palavra: joga uma árvore e as águas se tornaram doces. Observe
bem a mensagem que DEUS, nesse momento, transmitiu ao povo: “se ouvires
atentamente a voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos
seus olhos, e inclinares os seus ouvidos aos seus mandamentos, e guardareis
todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei
sobre os egípcios, pois eu sou o Senhor que te sara” (Ex. 15:26).
Bem, acreditamos que o milagre das águas acompanhado da advertência
seriam suficientes para todo aquele povo se posicionar e crer que DEUS haveria
de supri-lo em toda a sua necessidade (“E o meu Deus suprirá
todas as vossas necessidades segundo a sua gloriosa riqueza em Cristo Jesus”.
Filipenses 4:19). Entretanto, não tardaria para que as famílias,
ao sentirem uma nova necessidade, voltassem a murmurar contra DEUS: “Quem
nos dera tivéssemos morrido pela mão do Senhor na terra do Egito,
quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos
pão a fartar! Tu nos trouxeste a este deserto para matardes de fome a
toda esta multidão” (Ex. 16:3). Quanta ingratidão!
Aquela velha história de Abraão, contada e recontada aos ouvidos
dos menores, parecia ter ficado para trás. Parecia ser mais uma daquelas
histórias sem importância que se conta para espantar as assombrações
da noite ou para acelerar os ponteiros do sol. Agora, até as antigas
crianças, que já beiravam a adolescência e outras a fase
adulta, também aprenderam a reclamar. Elas teriam crescido junto à
incredulidade de seus pais, os quais só enxergavam o imediato, o medo,
o agora, não podendo mais contemplar o sobrenatural com os olhos da fé.
O povo de DEUS, separado por ELE para ser detentor de uma grande promessa, a
conquista de Canaã, não conseguia mais dar um passo além
da medida de suas pernas. Eram como pássaros sem asas a peregrinar num
deserto imenso... Mas mesmo assim, DEUS fez chover pão dos céus
para saciar a fome de toda a multidão. Moisés, com o coração
abatido, ainda encontra forças para perguntar a todo aquele povo: “(...)
Quem somos nós? As vossas murmurações não são
contra nós, e sim contra o Senhor” (Ex. 16:8). Entretanto,
cada vez que desertos iam se abrindo em sua frente, cada vez que uma necessidade
se agigantava, mais a população se enfurecia e desejava o passado
de escravidão. Foi assim no acampamento em Refidim, no de Taberá,
enfim, em dez situações adversas, de provações,
pelas quais o povo atravessou.
De toda aquela multidão, quase 3 milhões de pessoas, entre crianças,
adultos e jovens, apenas duas pessoas não se esqueceram da velha história
da promessa que DEUS havia feito a um homem chamado Abraão: Josué
e Calebe. Veja bem: apenas duas. Creram e não só perseveraram
em busca da promessa, mas lutaram contra a incredulidade de todo um povo. O
caráter e principalmente a fé de Josué e Calebe permaneceram
inabaláveis. Esses, segundo Deus, foram pássaros que saíram
cativos do Egito, por meio de seus pais, mas cujas asas nasceram e logo aprenderam
a voar em direção aquilo que DEUS havia lhes prometido: “Porque
o Senhor havia dito acerca deles: certamente morrerão no deserto. Nenhum
deles sobreviveu, exceto Calebe, filho de Jofoné; e Josué, filho
de Num” (Números 26:65). Sobre Calebe, o Senhor ainda acrescentou:
“Porém o meu servo Calebe, porque nele houve outro espírito,
e perseverou em seguir-me, eu o levarei à terra em que entrou, e a sua
semente a possuirá em herança” (Números 14:24).
Josué e Calebe mostraram que as dificuldades, para os que caminham com
DEUS, independente do deserto que estejam atravessando, são oportunidades
de crescimento espiritual.
Sinceramente, não sei qual é o deserto que você, caro leitor
e amigo, está atravessando. Se relacionado aos filhos, ao marido, à
esposa, a algo relacionado ao casamento, ao trabalho ou a falta deste, à
doença, enfim, um deserto que enfraquece o seu coração
e abate a sua fé. Ele talvez lhe pareça grandioso demais. Porém,
de uma coisa eu tenho certeza e não erro: assim como DEUS sempre esteve
no controle daquela multidão hebréia, que enfrentou vários
desertos durante 40 anos, ELE também está com você, sondando
o seu coração. Não desista. JESUS disse: “Eu
sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram.
Mas aqui está o pão que desce do céu, do qual se o homem
comer não morre. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se
alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão
é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” (João
6: 48-51). Hoje a promessa de DEUS para sua vida é esta: “Ao
que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na
pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele
que o recebe” (Apocalipse 2: 17). Tenha as asas da fé de Josué
e Calebe e aprenda a superar desertos, conquistando as bênçãos
sem medida do PAI para você. Que DEUS nos abençoe!!
FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça” e “Antes que a Luz do Sol escureça”. Também é líder do Ministério Interdenominacional Recuperando Famílias para Cristo.
www.fernandocesar.com